Modo para fazer sobir, & tecer os bichos da seda.
O Fazer a sede, he tam natural aos bichos, que apenas sahem da semente, quando começam a deitar do estamago hum fiosinho de seda, & se bem repararmos, veremos as casquinhas da semente pegadas hũa com outra, com hũas sedinhas quasi imperceptiueis, & as folhas que se deixaõ sobre a semente, & o papel furado, para obrigar os bichos a sahir, tambem ficam pegadas pella tecidura dos raminhos da seda, que os bichos deixaram.
Por onde consta, que em quanto, viuem, sempre tem este fio de seda aparelhado para se pegarem, quãdo querem, porque ainda que depois de sobidos, se deixem cahir, sempre lhes fica a ponta da seda na boca, para tornarem a pegar, assim como fazem as aranhas.
De maneira, que tanto que chegar o tempo destinado para os bichos fazerem a seda, elles mesmos, em achando lugar proporcionado para se agasalharem, começaràõ a fazer o seu casulo, sem arte algũa, ou industria dos que tem cuidado de os criar.
Pouco mais, ou menos de doze dias depois da quarta muda, se achaõ em estado de dar principio à sua obra, o que se pode facilmẽte conhecer, por estes sinaes.
Primeiro, o corpo se lhe faz mais claro, & quasi transparente como hum Alambre, como se verà, tomando-os na mão, & pondo os à luz do Sol de dia, ou ao lume da candea de noite.
Segundo, os circulos, que tem à roda do corpo, passaõ de hũa côr verde, a hũa côr de ouro, em que se representa a seda, que elles tem no esta mago.
Terceiro, o bico da boca, se lhe faz mais agudo.
Quarto, andaõ de hũa parte, & outra, por meyo dos outros, sem se lhe dar de comer, & leuãtando a cabecinha, dão mostras de querer hir à lenha, & fiar a sua seda.
Primeiro que os bichos cheguẽ a esta madureza, & perfeição, he precizo ter nos partileiros as casinhas, ou cabanas armadas, com ramos dobrados, a modo de arco, os quaes seràõ de giesta, ou louro, vide, medronho, vime, feto, ou de outras plantas, ou heruas, que não tenhão humidade algũa nem espinhos, que possaõ offender os bichos, quando sobem, ou quando cahem.