Eu fui……….
Manzoni, Il cinque Maggio
I
Eil-o junto de nós dormindo o somno eterno.
Na terra emfim descança ao pé do chão paterno.
Ao pae que tanto amor em vida lhe votou
Tambem na sepultura agora se abraçou.
Quando ao romper do sol alegre o céo rebrilha,
Como anjo tutelar desce do Empyreo a filha;
Bate as azas gentis por entre o cyprestal,
E solta hymno inspirado ao somno paternal.
Quem constante lidou, desde a mais tenra edade,
Em prol do amor da patria, em bem da humanidade,
Quando é chegada a hora e deixa a terra emfim,
Á entrada do outro mundo encontra um seraphim.
II
E quem pois o amor da patria
Com vehemencia egual sentiu,
Qual o peito onde surgiu
Mais ardente hoje esse amor?
Quem, como elle, n'um só gesto,
Quando a turba se atropela,
Quebra as ondas da procella
Resistindo ao seu furor?
E se a mão da prepotencia
Procurava erguer-se altiva,
Quem mais prompta e quem mais viva
Tinha sempre a inspiração?
Era ouvil-o ouvir a patria,
Quando exclama na anciedade:
«Liberdade, oh! liberdade!»
Com a voz do coração.
Ah! no exilio, quantas vezes,
Afogada entre gemidos,
Mormurára a seus ouvidos
A voz do paiz natal!
E ouvindo-a sua alma, em impetos
Do mais sincero heroismo,
Sonhava em transpôr o abysmo
E libertar Portugal!
Então a graciosa aldêa,
O val coberto de olmeiros,
Os ingenuos companheiros
De seus jogos infantis,
Tudo aos olhos lhe sorria,
Matisado de mil côres,
Montes, valles, prados, flores,
Céo e luz do seu paiz!
Rompe um dia aurora esplendida,
O tambor toca a rebate,
No mais fero do combate
Entra, luta, conquistou!
Conquista dos proprios lares!…
Mas do campo afasta a vista,
Por que emfim n'essa conquista
Sangue de irmãos se espalhou!