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1 de Maio—1910.

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Junho—1910.

PROPAGANDA ELEIÇOEIRA
DO BLOCO PREDIAL

(Musica—A MARSELHEZA)
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Ide escravos quebrar os grilhões,
As algemas da fome homicida;
Armas promptas contra esses ladrões,
Que nos roubam a bolsa e a vida! (bis)
Nova aurora de Paz, Redempção,
Vá doirar nossos valles e cerros,
Libertando os captivos dos ferros,
Dando aos pobres a luz e o pão.
Avante! Lusitanos!
Largae a servidão! Unir! Unir! contra os tyramnos, Salvemos a Nação!
Avante Lusitanos,
Salvemos a Nação.
Tareco.

«O rei D. João I da gloriosa dynastia de Aviz, enamorou-se da filha de Pero Esteves, sapateiro alemtejano, conhecido pela alcunha O Barbadão; d'estes amores nasceu um filho que foi conde de Barcellos e primeiro duque de Bragança; casando este com uma filha do condestavel Nun'Alvares, deu origem á nobre casa que ha 267 annos reina em Portugal.
A casa de Bragança foi-se engrandecendo á custa de doações regias, bens nacionaes que os reis cediam em usufructo apenas, e que o capricho do soberano ou a conveniencia do Estado, podiam fazer voltar ao seu legitimo proprietário: A Nação.
Não foram os serviços relevantes que engrandeceram esta casa, mas as intrigas continuas, salientando-se entre todas a que levou o glorioso infante D. Pedro á chacina de Alfarrobeira.
Com a revolução de 1640 que libertou Portugal do jugo da Espanha, o oitavo duque de Bragança foi aclamado rei com o nome de João IV; beato e poltrão liga-se aos jesuitas, e para salvar a pelle e o titulo de rei, não hesita em negociar por intermedio do padre Antonio Vieira (jesuita) a entrega do seu paiz á França, ou novamente á Espanha, a troco de o reconhecerem como rei do Brazil; a sua pessoa era tudo, o seu paiz era nada. Os melhores servidores do Estado foram lançados em prisões ou conduzidos ao cadafalso (o ministro Lucena, o marquez de Montalvão, Mathias d'Albuquerque vencedor de Montijo, etc.). O seu reinado foi coroado pelo presente que fez á Inglaterra, como dote de sua irmã, das cidades de Bombaim e Tanger, ricas flores de laranjeira que a infante portugueza levou prezas ao seu vestido de noiva!

Seu filho Afonso VI que no throno lhe sucedeu, corria de noite as ruas da cidade, com a sua purria fidalga, assaltando os cidadãos indefezos; era doido, e d'isso se aproveita seu irmão Pedro II para lhe tirar a corôa e... a mulher, com o consentimento do papa; este (Pedro II) dominado pelos jesuitas tambem, desterra o conde de Castello Melhor, glorioso ministro (que por tres vezes salvou Portugal da dominação espanhola), e celebra com a Inglaterra o vergonhoso tratado de Methwen, que nos tira o comercio do Oriente e nos impossibilita de montar fabricas e oficinas.
João V que lhe sucede, gasta o oiro que do Brazil lhe vem, na construção de conventos, em festas de egreja e em presentes ao padre santo; deixa perder sem enviar socorros, as nossas colonias da India, Ceylão e Oceania, porque o dinheiro era pouco para presentear as freiras de quem fez amantes e o papa de quem se fez lacaio.
José I faz morrer no cadafalso toda a familia Tavora, por meio de horriveis tormentos, com o pretexto de serem cumplices na conspiração do duque de Aveiro, o que se não provou, sendo a causa verdadeira a oposição que essa familia fazia aos seus amores adulteros com a marqueza; nada escapou ao seu furor sanguinario: nem velhos, nem mulheres, nem creanças. Para dignamente coroar o seu reinado, abandona aos mouros as cidades que possuiamos em Marrocos, e que tanto sangue portuguez custaram.