Louvaram todos a magnanimidade da modestia.

Mas o dia acabou insipido para o director. Ruminava confusamente a tristeza d'aquella rivalidade nova—o bronze invencivel.

Por que não usam os grandes homens, em vez de poltronas, pedestaes?

Que vale a estatua, se não somos nós? A adopção do pedestal nas mobilias teria ao menos a vantagem de facilitar a provação da gloria, de vez em quando, da gloria effectiva, gloria actual, gloria pratica.

Tinha-se alli a um canto a columna. Era vir a necessidade, nada mais facil: galgava-se a elevação, ensaiava-se a postura, esperava-se immovel que cedesse o espasmo. Mas... não! força era acceitar a verdade amarga.

O monumento prescinde do heróe, não o conhece, demitte-o por substituição, sopêa-o, anulla-o.

Com os diabos! Por que ha de ser isto afinal a immortalidade: um pedaço de marmore sobre um defunto?!

Á noitinha retiravam-se os convidados, as familias, multidão confusa de alegrias e despeitos. As mães acariciando muito o filho sem premio, os paes odiando o director, olhando como vencidos para os que passavam satisfeitos, os outros paes, os collegas do filho, menos infatuados da propria victoria que da humilhação alheia.

Humilde, a um canto, á beira da corrente dos que iam, pouco além da entrada do amphitheatro, mostraram-me uma familia de lucto—a familia do Franco. O desembargador, de chapéo na mão, esquecendo de cobrir-se; homem baixo, physionomia acabrunhada, longas barbas grisalhas, calvo, olhos miudos, palpebras em bolsa.

Tinha vindo de Matto Grosso um anno mais tarde do que pretendia. O correspondente dera a noticia.