«Esperem! esperem! dizia convulso, como quem traz na algibeira um expediente salvador. Esperem!»
Exactamente no meio do pateo abriu as immensas pernas de Rhodes magro, e levou á bocca um apito.
Infelizmente, com a força do sopro engasgou-se o assobio, depois de dous chilros falhos.
Cercado pelos criados que o perseguiam com trancas e cacetes, o homem da faca, cuja intenção era escapulir para o jardim, encostou-se a uma parede, «Deixem-me passar, que mato mais um,» rosnava, com a physionomia faiscante, «Caminho para mim!» repetia, agitando o ferro num fremito de cascaveis.
Alguns moços destemidos tinham-se avizinhado e completavam o imprudente cerco.
«Abre!» rugiu praguejando o criminoso acuado. E, de um salto de fera, arremessou-se contra os sitiantes, brandindo a faca.
Com a milagrosa destreza do instincto de conservação, cada um safou-se como pôde: o perseguido passou como um tiro. «Fugiu!» clamavam de todos os lados.
Quando o vimos cair de bruços.
Alguem se precipitara inesperadamente ao seu encontro e, escorando-o com o joelho e empolgando-o pelo gasnete, com o punho o fizera rodar por terra.
Era o Bento Alves!... Com uma das mãos, o bravo collega opprimia a cara ao sujeito contra o solo, ralando-a na areia, com a outra, por um prodigio de vigor, immobilisava-lhe o braço armado. Com o esquerdo livre, o criminoso firmava, tentando erguer-se. Esmagava-o a pressão de um monolitho.