É a primeira poesia narrativa que escrevo, tendo ficado sempre no dominio da poesia subjectiva, quer combativa, quer meramente psichologica. D'aqui e do meu fraco valor, a imperfeição que lhe has de achar.

Imperfeita, comtudo, t'a dedico e offereço.

20—dezembro—1907.

Raul Proença.

+A T…+

Nosso amor começou a quando o Outono,
Quando as arv'res se despem da folhagem,
Numa tristeza amarga que faz sôno,
E mais fria e mais muda é a paisagem.

Começou quando avança a Sombra triste,
E foi a brisa arripiante e agreste
Que trouxe essas palavras que proferiste
E o primeiro sorriso que me déste.

Que admira pois que o nosso amor tão largo
Seja mais infeliz que um rei sem throno,
Se o trouxe o Inverno no inicial lethargo?!

E temendo-o… eu desejo-o e ambiciôno-o,
Como te quero, ó lindo sonho amargo!
Como te amo, meu pobre amor do outono!

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