Por isso toma estas florinhas bravas,
Esta simples poesia humilde e agreste,
Como os versos d'amor que me inspiravas!

E se quizeres saber quem é Leonor,
O perfil que tracei com singeleza,
Mas com um grande, co'um profundo amor,

Não me perguntes, não, Mulher celeste;
Vae perguntá-lo á voz com que falavas,
Vae perguntá-lo aos beijos que me déste.

Ás almas simples, singélas,
Que teem o Amor por norma,
E amam a luz das estrêlas
E têm a paixão da Fórma;

Ás almas suaves, mimosas,
Docemente espirituaes,
Como as grinaldas de rosas,
E as floras tropicaes;

Áquêles que têm amado,
Em longas noites serenas,
Um olhar aveludado
E umas brancas mãos pequenas;

Ás que indo de fronte calma
No caminho da Illusão,
Construem ninhos na alma
E poemas no coração;

A vós a historia, ó Formosas,
D'um grande amor infeliz,
A vós, camelias mimosas,
A vós, violetas gentis!

+PROLOGO+

Na epocha presente,
Quando a doce poesia já não móra
Nos nossos corações,
A ternura divina foi-se embora,
Já tem menos fulgor a luz da aurora
E as damas não suspiram com paixões—
Na epocha presente
O labio já não prende os corações
E a alma já não sente…