Figs. 30 e 31
A serralheria portuguesa concorreu tambem, com a humildade caracteristica da industria popular nacional, para a indigente ornamentação dos acumes das torres e, mais restrictamente, de castellos, de pharoes, de pelourinhos (Rates), de chafarizes (Barcellos), de moínhos, de telhados, de chaminés (Alemtejo) e até d'um mastro ou varo ao alto, em campos e quintaes. Dominam, todavia, as de ferro nas egrejas. A flecha, designadamente adstricta a indicar o rumo do vento, é simples, associada a folhagens, á cruz e á esphera armillar, recortada outras vezes e até modificada na sua configuração habitual, substituindo-se por um sol a massa posterior e mais pesada. São exemplos as que se vêem em muitas habitações particulares ([fig. 1]), a do convento dos dominicos de Amarante ([fig. 2]) e a do santuario da Senhora da Abbadia ([fig. 3]).

[a]Fig. 32] A combinação da bandeirola e da flecha é patente na egreja de S. Victor, em Braga ([fig. 4]), pois a bandeira apenas, como as de Santo Thyrso, de Moreira da Maia, de Santo Ildefonso, no Porto, da Alcaçova, em Montemór-o-Velho, de Travanca ([fig. 5]) e da capella do Bom Despacho, em Ancêde ([fig. 6]), são menos communs na singelesa dos seus breves recortes. A regra é accusarem a suggestão da flecha, como a do pelourinho de Rates ([fig. 7]), a do Carmo de Braga ([fig. 8]), a da capella da Senhora da Graça de Villa Cahiz ([fig. 9]) e a do mosteiro de Refojos do Lima ([fig. 10]). E a desfiguração d'esse elemento sempre transparece, aliás, em exemplares como a da casa particular do Trasladario, nos Arcos de Val de Vez ([fig. 11]), ess'outra dos Arcos ([fig. 12]), a de Santo Antonio dos Frades, em Ponte do Lima ([fig. 13]), a do Populo, em Braga ([fig. 14]), a da Misericordia de Amarante ([fig. 15]) e a da matriz de Ancêde, em Baião ([fig. 16]). Com os mesmos accessorios da cruz e da esphera armillar, mas mais historiadas e accrescidas, são as da egreja do Espirito Santo, nos Arcos de Val de Vez ([fig. 17]), e a da capella de S. João do Souto, em Braga ([fig. 18])[10]. A do Oratorio da Senhora da Saude das Carvalheiras, n'esta ultima cidade ([fig. 19]), é apenas uma interessante substituição pelos cravos e a corôa de espinhos.
Fig. 33

[a]Fig. 34]

[a]Fig. 35]

[a]Fig. 37]