—Oh José, eu tenho medo do homem, elle vem com a gente? perguntou ao ouvido a pequenita a seu irmão.
—Tu tambem, sempre és uma medrosa!... E d’ahi não sabes que lá em casa não ha que levar!
—Sim, mas olha eu sempre tenho medo.
Joaquim comprehendêra pelo conchegar assustadiço da creança para seu irmão, e pelos modos importantes que este assumira, qual tinha sido o dialogo em voz baixa, e sorrindo-se disse á pequena:
—Não tenha medo de mim, não sou nenhum ladrão. Mas bem pelo contrario a prevenção mais assustou a creança, que não atinando com o modo porque elle ouvira a sua conversação, exclamou apressurada, mas sem olhar para o seu interlocutor:
—Eu bem sei que o senhor não é nenhum ladrão; mas... adivinha o que a gente diz!
—Então minha menina, julga-me agora feiticeiro?
—Deixe-a fallar, é uma creança, ainda não fez seis annos.
—E o menino é um homem, não tem medo.
—Eu já tenho sete annos, e d’ahi o senhor não havia de fazer mal a duas creanças, nem a meu pobre pae. Está tão doente!