—Andas sempre triste!
—Não é por ser mal agradecido ao bem que me fazem. É genio meu, não está mais na minha mão.
—Volta de amores talvez?
E os olhos acompanhavam a pergunta, procurando seguir o pensamento do moço, como o galgo segue a lebre por meio dos campos.
—Não, minha senhora, não são amores. Tambem quem me havia de querer, orphão, sem fortuna, e só devendo o pão de cada dia á caridade de meus bemfeitores?
—Não digas isso, Luiz, bem sabes que o trabalho que fazes, vale o pão que comes. Tu és bom rapaz e mereces quanto te fazem.
—Não mereço, não, minha senhora, e eu bem conheço as coisas, e sei agradecer tanto favor.
—Creança!
E acompanhando esta palavra, que pelo modo porque fôra proferida, já queria dizer muito, Genoveva correu mão protectora pela cara do Luizito.
Porque é preciso que saibam, rapazes: nós os homens muitas vezes chamamos creança a uma mulher, sem ser por mal, nem com idéa alguma; mas em a mulher chamando creança a um homem, e de um certo feitio, é o mesmo que se lhe dissesse: tu ainda não percebeste, que eu gosto muito de ti, e tu és muito estupido, porque não entendes o que eu te estou dando bem a conhecer.