Pela primeira vez, havia tanto tempo, desconfiou Luiz devéras do caso, e áquella caricia fez-se vermelho como um pimentão.
—Então fazes-te vermelho, tens talvez vergonha de mim? Pois já não devias ter rasão para isso, tenho idade bastante; não é verdade que pareço muito velha, meu Luiz, anda, dize?
E cada vez se aproximava mais d’elle a ponto de o bafejar com o seu halito inflammado; e de sorte, que se confundiam os olhos d’ella ardentes, significativos, cubiçosos, com os d’elle timidos, assustados, quasi envergonhados.
—Não, senhora Genoveva, não tenho vergonha. Desculpe fazer-me córado...
—Dize-me, atalhou violentamente Genoveva, cujo temperamento nervoso e sanguineo estava effervescente, querias estar como Paulo (era o heroe do romance), assim comigo n’um casal deserto...
—Como estamos hoje...
—Como estamos hoje, sim Luiz, e depois...
Era impossivel deixar de perceber tudo. Genoveva parecia ter a cabeça perdida, tudo denotava um desejo desenfreado, e furioso.
Não se riam, rapazes, se vissem uma mulher allucinada pelo amor, arrojar-se como uma leôa, feroz, enraivecida, terrivel até, comprehenderiam bem quanta foi a virtude do Luizito.
Levantou-se a tremer, e cheio senão de medo, ao menos de pudôr...