—Bom, homem, e por isso ficaste assim atarantado, bem te entendo; vae, rapaz, vae, eu sei o que são essas cousas. Quando voltas?

—Eu... vou de vez.

—Hein, endoideceste?

—Não endoideci, não, sr. José Matheus, preciso ir-me embora, deixe-me ir embora, deixa?...

E o rapaz estendia as mãos, convulso como se pedisse a salvação.

—Deixo, deixo. Por onde eu te pegar, te peguem os lobos. Entendo, desenquietaram-te, apanhaste-te ensinado; mas anda que tambem me ensinaste, ingrato!

—Ingrato!... Serei, sou, mas deixe-me ir embora quanto antes.

José Matheus não era de hoje, nem de hontem; desconfiou do caso, e chegando-se mais para o rapaz, deitou-lhe a unha.

—Por mais que me digam, accrescentou elle, tendo-o já seguro, aqui ha o que quer que seja, para tu estares assim tão apressado. Deixo-te ir, mas não sem me dizeres primeiro porque. Que demonio, parece que tens morte de homem!