Estava tresvariada.

José Matheus percebeu logo que as coisas que a mulher ia dizer, não eram para ser ouvidas por toda a gente; mandou sair os que estavam no quarto, e apenas ficou sósinho com ella, deu volta á chave e escutou-a.

Soube tudo.

No meio dos seus excessos, Genoveva chamava por Luiz, accusava-o de frieza, de indifferença, de ingratidão. Dizia-lhe que pensasse no seu marido, porque esse não saberia nada, e depois... haviam de ser tão felizes!

E um poder de coisas que tiraram todas as cataractas dos olhos do marido.

Este sentou-se n’uma cadeira, e, abatido, limpou uma lagrima. Ninguem soube nunca por quem fôra, se por Luiz, se por Genoveva.

Genoveva durou tres dias. Disse o facultativo, que se lhe tinha rompido uma veia na cabeça; rompesse ou não, nos dois ultimos não deu accordo de vida.

José apenas se certificou de que sua mulher não diria mais nada, recolheu-se ao seu quarto, d’onde não saiu senão para a sepultura. Não queria saber de coisa nenhuma, não dava palavra a ninguem, e se insistiam, punha todos fóra, fechando-lhes a porta na cara.

Na vespera de morrer, mandou chamar um tabellião e duas testemunhas. Lá esteve com todos tres, por espaço de meia hora.

No dia seguinte abria-se o testamento sobre o cadaver de José Matheus, e Luiz Tiburcio ficava sendo seu herdeiro universal.