E não havia tiral-o d’este dizer, por mais que fizessem, por mais que lhe prégassem. Era prégar aos peixinhos.

A pobre da mãe ia dando ordem á vida, conforme podia, mas casa governada por mulher, raro toma caminho: o negocio cada vez ia de mal a peior.

Thomaz, esse, parecia não dar por semelhante cousa, chegava a casa, fallava á mãe; comia do que lhe apresentavam, porque tudo lhe sabia bem, e quando a tia Annica começava em pé de conversa a querer-lhe dar conta do que se passava:

—Faça o que quizer, minha mãe, eu não tenho nada com isso.

E deitava a correr, se insistiam com elle, para debaixo da sua querida arvore.

Um dia, quando mais embebido estava em seu scismar, ouviu perto d’elle voz de mulher, que pedia soccorro. Ergueu-se e accudiu. Era uma rapariga de uns dezoito annos, quando muito, que vinha correndo de uma vacca que a perseguia.

Já quasi não podia dar passo, e a vacca ia alcançal-a, quando Thomaz erguendo-se de um pulo, e tomando um cajadito, que trazia comsigo, atirou de lado uma paulada ao focinho do animal, que cego com a dôr, mudou de carreira e seguiu aos pulos e aos mugidos pelos campos fóra.

Agueda, assim se chamava a perseguida, parou, tomou a respiração, que lhe ia faltando, e, volvendo um olhar reconhecido ao seu salvador, disse lhe:

—Obrigado, Thomaz!

—Agradece ao Senhor, Agueda, e não a mim; a gente anda cá n’este mundo á conta de Deus.