—Não tive animo para lhe dar a noticia. Pobre homem, fugiu-lhe a noiva, morreu-lhe a mãe, está só!
Fôra depois do jantar que o tio Joaquim me contára esta historia, a tarde estava muito amena, e o descair do dia ganhava os doces encantos da tristeza.
O que ouvira harmonisava-se com o que estava vendo: e a melancholia começou a tomar conta de mim. Propuz ao tio Joaquim um passeio até ao logar para espairecer. Saimos.
Á porta do boticario estava junta quasi toda a povoação; grande novidade ia pela botica. As velhas entravam, saiam, segredavam umas com as outras, levantavam os braços ao ar e voltavam para saber e contar novas coisas.
Conseguimos entrar e vêr o que tanto attrahia as attenções. O pobre Thomaz jazia banhado em sangue. Fôra encontrado cahido no fundo de uma trincheira, que andavam abrindo para o caminho de ferro, e quebrára a cabeça e os braços de encontro ás pedras que estavam em baixo. Restava-lhe pouco tempo de vida.
O tio Joaquim approximou-se do moribundo, elle reconheceu-o logo e sorriu-lhe tristemente.
—O que foi isso, homem? perguntou-lhe o velho narrador.
—Acertei finalmente com a felicidade, não tarda; em pouco vou ser muito rico.
Pensaram que já estava tresvariado. O tio Joaquim, disse-lhe que socegasse.