—Diz-se que as maguas contadas são alliviadas; porque me não dá parte das suas tristezas?

—Para quê? Com o andar do tempo não lhe faltarão proprias; deixe as alheias.

—Cuida que sou alguma creança, tio Joaquim?

—Bem sei que não é, mas...

—Seria a maior prova de amisade que me podesse dar. Ha tanto tempo que desejo saber a sua vida!

—Como deseja ouvir as historias aos serões, não é assim?

—Não. Essas servem para passar o tempo, esta outra para o conhecer bem, e para o poder consolar.

—Pois seja para me conhecer, que para me consolar não, porque não póde. Hoje tambem, parece-me que rebentava, se não repetisse alto o que tem sido a minha vida. Quando conversamos comnosco, a voz faz ecco bem fundo na cabeça e no coração, repercute mais e soffre dobrado. Se não tivesse vindo comsigo parece-me que entrava a fallar só, para ahi a essas pedras e a essas aguas. Oiça-me pois, já que tanto deseja saber a minha vida.

E o tio Joaquim deu começo á sua historia.