Vim depois a saber por que fôra ali parar. O vinho, e as patuscadas dos domingos, tinham sido a causa d’aquella desgraça.
Não deitava Nosso Senhor um dia santo a esta terra, que elle não fosse para a taberna, e que não sahisse de lá a não ser em miseravel estado. Em breve pozeram-no fóra do trabalho, porque não dava conta de si, nem se podia olhar para elle, de desmaselado que andava. Vendo-se sem trabalho, e sem ninguem o querer, ajuntou-se a uns poucos de vadios da terra, que passavam pelas peores firmas do logar.
Ao principio eram comesainas e bebedices: depois como não havia dinheiro, nem gente que lhes fiasse, nem vontade de trabalhar, começaram a pregar calotes, a commetter roubos, e quem sabe se mortes tambem.
Ao menos assim por lá se rosnava, e bem se diz: que n’estas coisas: «voz do povo, é voz de Deus.»
Um dia a justiça, que andava com os olhos n’elles, deitou-lhes a unha. Um dos que resistiu foi Roberto, e ao fugir á prisão, feriu de morte um dos cabos, que o queriam prender.
Foi condemnado ás galés por toda a vida: e a cumprir esta sentença o vi eu em Lisboa, no tal dia de festa do Corpo de Deus.
Agora vocês lá rapazes, que perceberam aonde eu ia dar na minha: pensem na historia que lhes contei, e vejam de que modo deverão passar melhor os domingos e dias santos.
Os bons dos maltezes não deram resposta ao narrador n’essa occasião; os resultados futuros deixaram vêr, porém, que as palavras do conto do tio Joaquim, não tinham sido deitadas ao vento.