—Isso ha de ser. Não lhe hei de faltar com coisa nenhuma.

—Pois para as mulheres é o que é preciso: dinheiro para gastarem nos trapos, e andam satisfeitas.

—Parece-lhe por conseguinte que serei seu genro?

—Se me parece! Já o é desde hoje, toque lá e deixe tudo por minha conta.

—Lembre-se de que eu não quero ir contra a vontade d’ella...

—Qual vontade, nem meia vontade, compádre Januario; o dito dito, e até ámanhã.

Esta conversação foi o começo das tristes aventuras dos dois amantes, que apresentei aos meus leitores, e cuja historia, n’uma noite bem invernosa, ouvi ao tio Joaquim.

Emquanto Januario ficava scismando na sua vida futura e saboreando d’ante-mão a posse da rapariga mais guapa d’aquelles sitios, Feliciano recolhia rindo-se e esfregando as mãos, o que n’elle denotava o maior signal de contentamento.

Acabava de fazer um excellente negocio. Trocára a filha por uma courella de dez alqueires de semeadura: isto é, uma mulher que tinha que sustentar por uma terra que dava de comer.