E o olival das queimadas, e a quinta da cortiça, e o casal do petisco, e as terras do Penetra, e a horta da allamôa, e tantos outros bens e haveres, que constituiam a fortuna de Januario!

Claro estava que tinha tido uma tarde feliz.

Rosa ficou surprehendida ao vêr entrar seu pae em casa risonho e cantarolando, coisa de que não havia memoria; e sem lhe passar pela cabeça qual era o motivo de semelhante transformação, sentiu-se alegre tambem.

Havia muitos annos que seu pae lhe não mostrava physionomia tão prasenteira, nem lhe fallava com tanto agrado.

De repente deu-lhe uma pancada o coração, quando Feliciano, voltando-se para ella, lhe perguntou com certos modos em que transpareciam alegria e finura mal contidas:

—Que te parece o compadre Januario?

—Que me ha de parecer, meu pae, dizem que é tão boa pessoa!...

—Sim, sim, bem se sabe isso, boa pessoa, assim como quem diz pedaço d’asno; não é pelas bondades, que eu te pergunto.

—Então meu pae?...

—Não olhaste para elle nunca com os teus olhos... de vêr?