Os Contos do tio Joaquim, livro de alto merecimento litterario, devido ao mallogrado homem de lettras, Rodrigo Paganino, que uma terrivel e fatal doença—a tysica pulmonar—arrebatou do mundo na primavera da vida, appareceram ha mais de vinte annos, quer dizer, n’uma epocha afastada, em que ainda ninguem fallava de processos realistas para a factura de um romance.
Pois apesar de não ser ainda conhecida n’esse tempo a escola realista, os Contos do tio Joaquim, mostram-se já seguidores dos seus preceitos pela naturalidade, singeleza e sentimento espontaneo das respectivas descripções.
Rodrigo Paganino, antes e depois de concluir em S. José o seu curso de medicina, foi um escriptor pujante, floreando na imprensa como jornalista notavel e no theatro como dramaturgo distincto.
Á pujança do seu talento não correspondia infelizmente o vigor do seu organismo; por isso a morte o derrubou a meio da carreira da vida, quando elle punha todo o seu empenho e boa vontade em terminar para o theatro de D. Maria uma comedia em 4 actos.
Infeliz Paganino! e duplamente infeliz, porque não gosaste, como homem, o lado risonho da vida, nem podeste, como escriptor, deixar apoz ti os fructos amadurecidos do teu brilhantissimo engenho.
Abril de 1885.
Pinheiro Chagas.
Ultimo adeus a Rodrigo Paganino
(A. Francisco Montez de Champalimaud)