—Estás sovina, para que queres o dinheiro?
—Mas se o não tenho?
—Pois sim, a mim não me enganas tu, ainda hontem vendeste isto ou aquillo, é porque o gastas com outras.
E seria um nunca acabar referir todas as desavenças, todas as ralações do pobre homem. Nem em casa nem fóra, lhe deixavam um momento de descanço. Andava como doido.
Entretanto o sr. Manoel Fernandes tinha ido á provincia; demorára se por lá algum tempo e esperava-se de um momento para o outro.
André foi ter com elle ao caminho, apenas o avistou a alcance de voz, as suas primeiras palavras foram como o deitar ao chão um peso que o opprimisse, e com que não podesse mais.
—Acceite a Chibanta, sr. Manoel Fernandes, quero a minha enchada e o meu somno descançado; a minha féria e o meu socego.
O fazendeiro sorriu-se.
—Pois já, homem?
—E é demais. O que lá vae lá vae, aprendi devéras, estes dois mezes têem-me custado annos de vida.