VIII
O guarda do cemiterio
I
Era perto da noite. Voltava em companhia do tio Joaquim d’uma feira, que se fazia a duas leguas da quinta, onde estavamos. Tinhamos mettido os cavallos a passo, e depois de muito discorrer e matar tempo, a conversação, que esmorecera gradualmente, parára de todo.
Não o sei ao certo, mas quero o crêr; a tristeza que tanto se sente no campo na hora em que o dia desapparece pouco a pouco, influira para nos calar; e aquella doce melancolia, que acompanha o crepusculo da tarde, e que tanto nos faz scismar e crêr, obrigára-nos a interromper as fallas, que perturbavam aquelle silencio geral.
Só quem tem vivido fóra das cidades é que póde dar conta d’aquelle tempo de socego e de mudez, que determina a passagem da noite para o dia, e muito particularmente do dia para a noite.