Os proprios amigos d'outros tempos, ao saberem d'este facto, denunciaram-n'o á policia.

Dahi em deante principiaram as indagações e as pesquisas. A lei não afrouxára em seus esforços. E o certo é que uma manhã Alfredo acordou n'um calabouço, quasi sem luz e abandonado aos vermes.

O processo correu perante o ministerio publico. Abundaram as provas. Alfredo era realmente um criminoso. O jury, dando o seu veredictum, houve por bem coudemnal-o a degredo perpetuo, para as costas de Africa.

Embalde lhe foi a appellação interposta pelo advogado para o Supremo tribunal de justiça. Confirmada a pena o réu teve de partir.

No dia aprasado para a partida, Alfredo, inquieto, nervoso, tremulo, agitado, pediu papel e tinta. Por uma graça especial fôra-lhe deferido o requerimento.

Tomando a penna o degredado traçou no papel as seguintes linhas:

«Excellentissima senhora Viscondessa, e minha dedicada amiga.--Seria vil, e muito vil, que eu, ao deixar esta cidade, me não lembrasse de Vossa Excellencia. Cheio do contricção e de arrependimento permitta-me pois, Vossa excellencia, que, por um pouco, ajoelhe ante a sua imagem generosa.

«É um criminoso que lhe falla, minha Senhora. É um triste e miseravel peccador que vem pedir-lhe perdão. Conceder-lh'o-ha Vossa excellencia?

Sim! Alfredo não existe já. Condemnou-o a sociedade em nome da lei. Condemnaram-n'o os seus crimes.

«Dentro em pouco, vestida a estamenha do degredo, o meu nome não terá razão alguma de ser. Vegetarei como um cadaver, que, privado do espirito, se vai decompondo fibra a fibra.