«Os homens não me perdoaram. Foi-me negada a honra: tudo me foi negado. E entretanto eu tinha de viver...

«Vossa excellencia de certo comprehende este terrivel problema do mundo. Entre duas infamias preferi esta, justamente por ser a maior.

«E assim como os homens foram ingratos para commigo, assim tambem eu fui ingrato para com Vossa excellencia.

«Perdão, perdão para mim, minha santa amiga, perdão para mim que não pensava!

«Eu era apenas um triste alucinado, que á maneira de uma sombra, errava vagamente pelo mundo, com o doloroso pesadello de uma longa enfermidade.

«E porque não morri eu, então, céus?

«Para que mais prolongar este acerbo calix de amargura?

«Não creio nos homens como não creio em Deus.

Deus!... Mas porque infinita maldição me sahe esta palavra dos labios?

«Ah! sim, está ali... bem o vejo... o infernal carcereiro...