A vida, sombria em si desabrocha por um beijo de mãe; e n'esse beijo, sêllo de Deus sobre a terra, que immensa effusão de affectos e que nobilissimo trasbordar de enthusiasmo.

Ó minha mãe, ó meu abrigo, tu, com o teu coração, foste o anjo providencial, que em mim encarnaste o sentimento do bem.

No esplendido poema da creação, em que tomam parte as aves com os seus cantos maviosos e os homens com o seu trabalho, quasi se poderia dizer que um suave perfume, ethereo e subtil, põe a terra em communicação com o céu.

Perguntae ao rio, porque geme, e ao oceano, porque brame, e ás arvores, porque crescem, e á terra, porque produz, e á nuvem, porque corre, e á flor, porque perfúma? Perguntae...

Amar, ser amado...--que sublime virtude, minhas senhoras.

Ás horas da tristesa, á tardinha, n'aquelles raros momentos, em que as arvores, estatuas da melancholia, nos deixam ouvir um funebre soluço; á hora em que o gentil pegureiro desfere na frauta umas sentidas notas; n'essa hora em que os crentes, saudando o creador, ajoelham aos pés da cruz:--como não é esplendida a visão do nosso espirito, iriada pelas mil côres da ventura e do amor.

Apparecei, sonhos da mocidade! Surgi de novo, ó santas crenças da minha vida!

Porque é que, com os primeiros raios do amor, desapparecem as alegrias primeiras, os indiscretos descuidos da infancia, os mimosos cantares da meninice?

Porque é que a mulher, amando, deixa de se pertencer a si, perdendo a individualidade e a iniciativa, a fim de se consagrar exclusivamente a um homem, ideal de perfeição e de virtude?

Porque é que o amor nos faz tristes, abatidos e concentrados?