Quem não sentiria, uma vez, ao menos, na sua vida, a dôr, que nos arrebata o coração e as lagrimas que nos inundam os olhos, ao despedir-mo-nos da pessoa que amamos?
Mulheres, que tendes amado o que na austeridade do sacrificio, tendes aprendido a virtude e o desinteresse--fallae por mim.
Homens, que em meio de vossos trabalhos e avergados ao peso das paixões vos sentis, muitas vezes, desfallecer--abri o coração, mostrae a dôr que vos opprime.
É doce o amor--pensa o mundo. Mas para amar, quantas inquietações, quantos supplicios!
É verdade que todos invejam uma mulher amada; é verdade que todos anceiam esse ineffavel momento, de poder dizer a um ser bom, generoso, sincero, sympathico, um ser, que nos delicia pelo seu olhar e que nos apraz pela sua bellesa--amo-te, sou teu; sim, sou teu, porque tu és o bom amigo sonhado em noites de intimos affectos; adoro-te, porque tu és a minha inspiração, a minha alma, a minha vida, o meu eterno pensamento: mas para tudo isto que lucta, que enorme lucta, meu Deus!
Amar é comprehender: comprehender a verdade, elevar-se ao bem pela contemplação do que é perfeito, subir até ao bello, guindar-se até ás luminosas regiões da arte e da consciencia.
O mundo fica-nos para traz; esquecem-nos as ambições; perdem-se os enthusiasmos; fojem-nos as lucidas chimeras da juventude: tudo se desvanece pelo amor.
Amar, ter um filho... que superior ventura se póde comparar a esta?
Um filho é uma parte de nós mesmo, uma continuação do nosso nome, da nossa existencia, do nosso viver.
Um filho?!... Quem se não terá enternecido ao contemplar essas louras creanças, vestidas de branco, e que, durante o dia, brincam nos jardins?