Um filho?!

Como é bella esta palavra e como ella sôa bem aos nossos ouvidos.

Ó santo amor paternal, ó paes, ó mães--vós que tendes chorado com as dores de vossos filhos e rido com as suas alegrias--dizei-nos--haverá, porventura, n'este mundo felicidade que se vos compare?

O amor de mãe é muito, mas não é tudo. Aos quinze annos, todos nós sentimos um vago ideal, que nos illumina o espirito, umas seductoras imagens que nos transportam a um ser longinqúo, mas realmente existente, um ser que é nosso, porque o sonhamos e que nos pertence, porque desde a infancia o anteviramos, claro, limpido, transparente, á semelhança de um horisonte que um dia contemplamos e que não mais nos esquece.

Esse ser é um marido; esse ser é uma esposa: um vinculo os prende--o amor; um ideal os incita--os filhos; uma virtude os reune--a conveniencia.

Á viscondessa tambem lhe chegára a sua vez. Sonhára e fora feliz. Alfredo era o doce amante, que lhe alimentava a phantasia ardente; Alfredo, o louro rapaz, era a formosa visão, que aos quinze annos, ella tivera por companheira inseparavel da sua vida.

Sejamos como a viscondessa. Amemos e seremos felizes.

[V]

No restaurante

Um mez volvido, após os acontecimentos, acima descriptos,--em Junho de 59--entrava eu casualmente n'um café do Caes do Sodré, situado por baixo do Grand Hotel Central--quando ouvi a voz de Alfredo, que de longe me chamava.