Ebrio e tumultuoso extendeu-me a mão direita, offerecendo-me um banco de palhinha em um dos extremos da mesa.

Com elle estavam quatro amigos, por egual risonhos e embriagados.

Sobre a pedra de marmore, pegajosa e cheia de cinsa de charuto, viam-se entre outras cousas cinco chavenas de café, quasi esgotadas, duas garrafas de cognac e uma de absyntho.

--Não podias vir em melhor occasião--exclamava Alfredo com o cotovello direito apoiado sobre a mesa e a cabeça inclinada sobre a mão.

--Antes de mais, vae-me bebendo esse cognac e ouve-me depois.

Alfredo tirou em seguida um masso de cartas do bolso interior da sobrecasaca, e desatando uma fita verde que as envolvia, começou de abrir uma por uma.

--Mal sabem vocês que temos por aqui uma paixão fidalga. Nem mais nem menos do que de uma viscondessa.

Esgotou um calix de absyntho, accendeu o charuto e encetou a leitura.


«Meu bom Alfredo.--Sabes que te amo e que te amo devéras. Não se passa uma hora, um minuto, um instante em que a tua doce imagem, pura como Eva...