--Viva o nosso Julio!... viva!...--exclamaram os jogadores, voz em grita.

O saúdado moço, de braços crusados e em mangas de camisa, nem sequer lhes respondeu.

Entrou, passeou a vista pela sala, e quedando-se com pesar, vociferou:

--Nem mãe, nem... dinheiro...

Como por encanto, fez-se um silencio sepulchral na taberna. O jogo parou; e instinctivamente erguidos, correram todos á presença do Julio.

Prestes, porém, se apagou a mudez, a fim de novamente ser interrompida pela mais temerosa de todas as vozerias.

--Não póde ser; não póde ser. Abaixo a tyrannia. Vamos a acabar com elles. Malhados de uma figa... Queremos sangue e mais sangue... que nem um só escape... Querem-nos roubar o nosso trabalho... os infames... Ladrões abaixo... Não queremos ladrões... A elles... todos a elles...

A taberneira exasperada, pedia ordem, levantando os braços. Em cima do balcão latia o rafeiro agudamente. O gato, espreguiçando-se, escoara-se com mysteriosa perfidia, por entre as pipas vasias. Um raio de lua, reflectindo-se phantasticamente sobre a cara da creança, que chorava, produzia um contraste singular, e sobremaneira interessante. Dir-se-hia que pela innocencia velava o céu em toda a sua magestade e grandesa.

N'um momento a porta rangeu nos gonzos.

--Em nome da lei declaro presos os desordeiros--bradou um vulto.