--Em nome de que lei?--retorquiu um dos agitadores.
--Em nome da nossa lei, em nome da lei portugueza--insistiu o primeiro, descobrindo-se.
Á vista do policia, até a taberneira gritou. Vergado ao peso de uma mão de ferro, aspera e cortante, e apanhado a sós, o espião do governo, atravessado por tres fortes navalhadas, rolou immediatamente aos pés de Julio, que para elle olhava desconsoladamente.
Momentos depois a taberna estava só, escura, e triste.
Quem, dois dias depois, entrasse n'esta mesma casa, e attentasse nos personagens, ali reunidos, pouca differença de certo havia de notar.
Lia um dos operarios em voz alta a Revolução de Setembro, quando inopinadamente se lhe deparou a seguinte local:
«Ante-hontem, cerca da meia noite, deu-se um grave tumulto n'uma taberna situada para as bandas de Alfama. A policia anda em cata dos desordeiros, e de crêr é que, em breve, elles soffram o justo castigo das suas loucuras.»
Taes palavras foram, como é natural, ouvidas com terror, da parte dos circumstantes.
Um silencio profundo envolvera a taberna. Mudos e reflexivos, ninguem ousava proferir uma palavra.