Os catraeiros cantavam sempre:

«Vai alta a lua! na mansão da morte
Já meia noite com vagar soou;
Que paz tranquilla! dos vaivens da sorte
Só tem descanço quem ali baixou.»

E ao longe os echos repetiam a ballada do poeta.

O escaler abicou, emfim, á praia. A aurora começava a roxear o horisonte. Uma luz delicada, fina, como a porcellana, transparecia por entre nuvens.

Um vulto de homem, embuçado n'um largo capote, saltou á praia.

Julio, fugitivo, tomára a prompta resolução de por algum tempo se occultar no bairro de Alcantara.

Duas palavras ainda sobre elle:

Julio era um rapaz ambicioso. Amava egualmente a liberdade e o trabalho.

De têmpera rija, era o seu caracter. Odiando o jesuitismo, por instincto, não poucas vezes chegára a commetter excessos e desvarios.