Frequentava a taberna, do mesmo modo que nós frequentamos o café; ali discursava com os companheiros, concluindo sempre em favor da liberdade e contra a reacção.

Na noite em que o prenderam exclamára elle para os camaradas de trabalho:

«Nem sempre a escravidão ha de pesar sobre nós. Quem tiver coragem, acompanhe-me. Uma vez que não querem a paz, acceitaremos a guerra, mas uma guerra sem tréguas, uma guerra eterna e violenta.»

D'este modo Julio era a perfeita personificação do escravo, que, sentindo a grilheta ao pé, deseja emancipar-se e tornar-se homem, como os seus similhantes.

Alfredo, não tendo coragem para realisar os seus planos, embora bom e generoso no fundo, tornara-se devasso, e adormecera inconscientemente nos braços da sensualidade estupida. Julio, não! Julio estava puro; reagia ainda com heroicidade contra a geral corrupção da sociedade.

Entre estes dois homens, ambos moços e sympathicos, existia uma differença apenas: Alfredo pertencia á mocidade dos cafés, incomparavelmente mais inutil que a mocidade da taberna, composta, na generalidade, por operarios honestos, como Julio.

Mais tarde, porém, nos encontraremos novamente com Alfredo.

[XIV]

Novos mundos

Penetremos em Alcantara.