É um bairro pobre, habitado por operarios, n'uma grande parte, e por homens do mar.
Na extrema do riacho, para a direita, alveja uma pequena casa, situada na falda de um monte.
Para ahi entrou Julio, a fim de se occultar ás pesquisas da policia.
Durante o dia conservava-se fechada a casa, como querendo demonstrar ao publico, que ella era realmente deshabitada.
Á noite quatro operarios, voltando do trabalho, batiam de mansinho á porta.--Julio percebendo pelo toque ser os companheiros, levantava-se da enxerga em que de ordinario jazia, e dava volta á chave.
No interior da habitação reinava a miseria em toda a sua hediondez.
Uma enxerga apenas, abrigava, durante a noite, cinco esqueletos de homens, sem alegria, sem pão e sem futuro. Os mumias da desgraça!
De manhã, ao levantar, reuniam quatro ou seis trapos velhos, e, por vergonha, occultavam á multidão os proprios ossos do corpo.
Na cosinha existiam, por acaso, duas côdeas de brôa, arrancadas aos dentes das cadellas leprosas, uma bilha com agua e um pequeno ramo de carqueja.
A estes quatro animaes, trabalhadores n'uma fabrica de lanificios, se incorporara Julio.