Alfredo, levantando-se, aproximou-se da Viscondessa, e, tomando-lhe a mão direita, que elle apaixonadamente comprimiu contra o peito, prorompeu nos seguintes termos:

--Mas ouve, Mabilia--tu bem vês que eu te amo; pois não reparas como enlouqueço, se me negas a tua affeição? oh! não! tu não has de ser tão cruel, que me despreses assim de um momento para o outro, não é verdade! Ora escuta: não vês como bate este nobre coração? e tu has de deixal-o assim... não... tu és boa, eu bem sei, e serias incapaz de commetter um crime...

--Alfredo!... Alfredo!...

--Falla, Mabilia... dize, dize que ainda me amas só uma vez... e eu serei teu, teu para sempre...

--Que te amo!... oh! se te amo!...

E a Viscondessa, pallida, cahiu desmaiada nos braços do seu amante.

No horisonte uma nuvem, passando, toldara momentaneamente o reflexo do luar. Um doce silencio envolvia o aposento da Viscondessa, cuja face livida se reflectira de um modo estranho á superficie de um longo espelho de Venesa. Junto d'ella, ajoelhado quasi, estava Alfredo, singularmente excitado e nervoso.

Um ignorado personagem, de longa barba até ao peito, baixo e gordo, assomou ao limiar da porta.

--É a segunda vez, senhor Alfredo, que tenho a honra de o convidar a sahir d'esta casa, disse o intruso.

--Com que direito?--retorquiu Alfredo, virando-se.