As lagrimas, em espiritos delicados, são uma necessidade dos seus corações privilegiados. Não ha odio que ás lagrimas não cêda.
A Viscondessa via fugir-lhe a felicidade. Chorava.
A esposa tambem chora, ao ver desapparecer o navio, que, ao longe, lhe conduz o esposo querido.
Santas e doces lagrimas, que tantas vezes tendes suavisado sobre a terra os intimos e dolorosos soffrimentos, como é grandioso o vosso poder!
E vós mesmos, ó scepticos mascarados, que tão estupida e egoistamente sabeis illudir as pobres victimas da vossa stulticia--dizei-nos--em quantos escriptos, arrancados a corações honestos e indefesos, não tendes vós encontrado o vestigio de uma lagrima?
Não ha sympathia que pela lagrima não brote e se enraize.
A lagrima é como um lago, na serenidade do seu correr e no reflectir das suas imagens.
Para esse sangue d'alma--na suave expressão de um poeta--apenas ha um remedio--a consolação.
A Viscondessa chorava e continuava indecisa.
Semelhante a um arbusto, que, açoutado pelo vento, deixa cahir sobre a terra o orvalho; assim a Viscondessa, ao dar accôrdo de si, deixou cahir no seu candido seio as perolas consoladoras do seu espirito.