O theatro real faz tambem com que este logar seja um dos que melhor perspectiva apresentam na cidade.
A segunda—a plaza Mayor—foi construida em 1619, sob a direcção do architecto D. Juam Gomes de Mora. É o logar destinado ás festas da côrte hespanhola. Antigamente a fidalguia armada costumava, em actos solemnes, esperar ali a sahida dos touros, que eram picados com a maxima destreza e pericia por parte dos amadores da arte de Pepe-Híllo. Já por duas vezes o incendio tentou destruir tão formoso recinto. No seu centro está collocada a estatua equestre de Philippe III, obra começada pelo architecto{46} Juan Bologna e terminada por Pedro Tacca.
Presentemente a plaza Mayor acha-se reduzida ás condições de um deliciosissimo jardim e pouco mais.
Passemos, porém, ao Palacio Real. É uma das obras de arte, que mais particular attenção merece da parte dos entendedores.
Foi construido este palacio em meados do seculo passado. Situado no extremo occidental da povoação, precisamente no logar onde outr'ora se erguia o famoso alcaçar de Madrid, a sua origem remonta, segundo uns, ao reinado de Affonso VI, e segundo outros ao reinado de Pedro I. No cimo da escada, que é de marmore, existe uma estatua de Carlos III, o qual, parece, concorrêra bastante para a melhoria d'aquelle edificio.
Começando pela fachada do Oriente, a pintura, que se vê na primeira sala, representa o Tempo descobrindo a Verdade; na segunda encontra-se Apollo premiando o talento; na terceira a queda dos gigantes, que uma vez tiveram a ousadia{47} de attentar contra os céus; na quinta a apotheose de Hercules; e na sexta, septima, oitava e nona a representação da philosophia, da pintura, da musica e da poesia.
Além do que aqui deixamos mencionado, muito mais, porém, poderiamos accrescentar. O Palacio real é uma das maravilhas da capital de Hespanha, já pela sua riqueza, já pelos seus valiosissimos quadros, já, emfim, pela sua vasta opulencia.
Não pára, comtudo, aqui a nossa admiração. Cumpre egualmente não esquecer outras maravilhas da cidade, taes como o Palacio do Senado, onde pela primeira vez se reuniram as côrtes hespanholas em 1820: o palacio do congresso, edificio muito moderno, principiado a construir em 1834, os ministerios publicos, as reaes cavallariças situadas ao norte do palacio, e ainda como reliquias de architectura dos seculos XVI, XVII e XVIII até nós, os palacios particulares de Medinacellí, de Liria, do duque de Abrantes, do marquez de Salamanca, etc.{48}
E ainda, se o leitor fôr poeta e se interessar pelos grandes homens, não deixarei de recommendar-lhe a visita ás casas de Cervantes, de Lope de Vega, de Torrijós, de Cisneros e da beata Maria Anna.
A casa de Cervantes, edificada na rua do mesmo nome, tem, por cima do portal da entrada, em marmore branco, a seguinte inscripção: