Ora é por isso que eu ouso dar um conselho a s. s.as os srs. maridos de Hespanha—não dêem chocolate a suas esposas, se é que realmente amam mais o seu mènage do que o boulevard.

Agora o café.

É um pendant ao primeiro: ambos são negros, como suas reverendissimas os senhores jesuitas que por aqui caminham aos centos.

O café é o complemento do chocolate.{95} Vive-se n'elle, e n'elle se apura a linguagem, a toilette e o bem-senso.

As mulheres conciliam no seu coração o amor do profano e o amor do sagrado. Entram no templo catholico com o mesmo sans façon com que entram no templo social. Porque o café—talvez a leitora o ignorasse—o café é tambem um templo.

E que templo, minha querida marqueza! De tudo se encontra ali desde o fidalgo da regencia ci-devant até ao maratista sans-cullote.

Venha v. ex.ª a Madrid aprender a egualdade humana. Venha tomar aqui uma chavena de café, e verá como, embora desconheça a liberdade, v. ex.ª fallará na egualdade. Venha, minha senhora. Não se arreceie dos carlistas, que esses bandidos já hoje não vivem, e pertencem á historia.

Quando S. M., o sr. D. Affonso XII, houve por bem entrar em Madrid, depois de concluida a guerra carlista, a cidade embandeirou-se, illuminou-se, gritou, exclamou, abriu a bôcca. E sabem tudo porquê? Porque a cidade havia tomado{96} muito chocolate. Sem blague. Estavam todos fartos de chocolate, e a vingança foi digerir o patriotismo, abertamente, rasgadamente, como qualquer leão do deserto.

Só a tropa não havia tomado a sympathica droga, e, por isso, ella entrou na cidade esfarrapada, com as faces crestadas pelo sol das montanhas, que não pelo sol das batalhas, e olhos encovados e lobregos. Por isso o primeiro dever de sua magestade o sr. D. Affonso XII será mandar vestir os que estão nús e dar chocolate a quem tem fome.

Que sua magestade seja misericordioso. Que sua magestade se inspire no amor do proximo e no bem da humanidade!