—E a baroneza de Wilson, conheceu?
—Perfeitamente. D'essa senhora conta-se tambem uma anecdota curiosa. Diz-se que Zorrilla estivera doente, e que, na{158} sua enfermidade, fôra tratado desveladamente por uma senhora, sua vizinha. Ao cabo da doença, elle, querendo ser grato, esposou a sua enfermeira, a qual, então, vivia com uma sobrinha, mulher de um grande talento, que mais tarde casou com um inglez e que por isso se chamou baroneza de Wilson. E tambem vivi muito de perto com D. Maria Pilar Sinués de Marco. É romancista afamada. Vem-lhe de seu marido o nome de Marco, e por isso os hespanhoes dizem d'elle—se le conoce porque és marido de la Sinués, (similhança de Cabeza e Calabazas).
—Nunca fallou em Lisboa com uma distinctissima senhora, que usa do pseudonymo Leon de la Vega?
—Pois não! Sei que é esposa de um engraçado escriptor chamado D. Thomaz de Mello.
—Exactamente.
—Além d'estas, convivi com Angela Grassi, mulher, talvez não muito formosa mas de muito talento; com D. Antonia de Arciniega e Martinez, que cultivou um genero de poesia quasi pastoril; com D.{159} Josepha Estevez del Canto, admiradora em excesso das fabulas de Lafontaine, com D. Emilia Cale Torres de Quintero, com D. Sofia Tartilau e com muitas outras. Bem vê que seria impossivel recordar-me agora de todas as minhas relações. Unicamente lhe affianço que em Hespanha as mulheres que escrevem, embora não sejam muitas, são todas dotadas de um immenso talento.
—Mas, minha senhora, permitta-me que lhe manifeste os meus mais ardentes desejos de a conhecer...
—Perdão... isso é que não está no contracto. Tenho respondido a todas as suas perguntas e isso me basta... O meu nome, não lh'o posso por ora revelar. É possivel que mais tarde o saiba. Por agora desculpe-me.
—Escurial! Escurial!...—gritaram os guardas do caminho de ferro.
A minha companheira apeou-se, e, estendendo-me a mão, nem sequer me deu tempo para me despedir d'ella.{160}