A mulher hespanhola, como não tem flores nem jardim, procura naturalmente os cafés e o mundo exterior, de que aliás precisa para conviver e para se entreter; cousa que, em nosso juizo, ninguem, em verdade, lhe poderá levar a mal.

E, no meio de tudo isto, não ha povo que sinceramente comprehenda melhor as leis da hospitalidade e que melhor e{22} mais bizarramente saiba attrahir a si os estrangeiros.

Mas, embora elles queiram ser nós,—nós é que, em boa logica, não podemos ser elles.

Elles, por exemplo, empregam o adjectivo largaesta calle es muy larga—para significar o comprimento, ao passo que nós o empregamos para exprimir a largura.

Antithese completa!

Oh! não—decididamente nós não podemos ser elles..

Mas, se ellas quizessem ser nós!...

Se nós fossemos ellas!...{23}

[III
A CIDADE]

No centro de uma extensa planicie, acompanhando a margem esquerda do Manzanares e alteada sobre differentes collinas de arêa de pequena elevação, ergue-se a cidade de Madrid, a formosissima villa coronada, prodigiosa de encantos, opulenta de prazeres e esplendida de vida.