Quantas vezes sonhamos, ainda crianças, com aquelle novo mundo ideal e angelico, com aquella visão dulcissima, enlevo de amantes, com aquelle rodopio vertiginoso e inebriante!...
Um baile!...
Mixto de ideas e sentimentos oppostos! Sorrisos e prantos! suspiros e lagrimas! amor e saudade! lyrios e goivos!...
Um baile!...
Desgraça de muitas familias! orphandade de muitos corações! inveja de muitas creaturas!...
Um baile é a photographia da humanidade, assim como o theatro é o espelho da sociedade.
Tem-se dicto muito sobre bailes. Todos lhe reconhecem os perigos, e, todavia, ninguem os evita.
A donzella corre ao precipicio, attrahida pelo canto seductor d'esta implacavel sereia. O mancebo alimenta ali sua phantasia ardente. Os velhos assistem a elles, como meros espectadores, realçando as glorias dos seus tempos, em menospreso das modernas velleidades civilisadoras e progressistas.
Emfim, tudo anceia por um baile; todos rejubilam na sua presença; todos esquecem, por momentos, as ulceras do proprio corpo, para dar largas ás vélas da sua imaginação.
Seja, pois, bemvindo o salão onde teremos de encontrar um dos principaes personagens da narrativa que vamos encetar!...