Tudo tem o seu contraste, porém!... Não ha pomba sem fel, assim como tambem não ha rosa sem espinhos!
A par de seraphica innocencia existe em vós a ferocidade do tigre; junto á sublimidade do vosso coração tendes a fealdade da hyena!
Profunda e contristante antinomia!!!
O mundo, em seus juizos iniquos, condemna-vos, a cada passo, sem procurar mesmo ouvir as vossas queixas. A sociedade ha muito lançou o stygma fatal sobre a vossa fronte impura. E no meio de tudo isto, todos vos procuram para vos repellirem mais tarde, quando já eivadas das mil miserias e humanas torpezas.
Então ninguem se lembra já que fostes uma mãe desvelada e terna; que amamentastes a vossos peitos a loira criancinha--fructo mimoso do Senhor;--que procurastes imprimir na sua fronte o osculo do amor para o tornar o homem bom e virtuoso, que todos desejam, e por quem a civilisação trabalha sem cessar!
Sim! então, ninguem se recorda que fostes o encantamento do lar domestico, quando filha;--esse typo seductor, visão etherea, que pela sua natural candura, meigo aspecto e divina graça, fazia a felicidade dos paes e o respeito dos extranhos!...
Até mesmo a esposa carinhosa e meiga, que outr'ora illuminava, como um sol de primavera, foi esquecida e amaldiçoada pelos homens;--eclipsou-a a nuvem sombria da civilisação. O Minotauro de Balzac devora as mulheres jovens e bellas, as outras anceiam por serem devoradas por elle.
Ai! mulher!... mulher!... Quanto é sublime a tua missão sobre a terra! Como é soberbo o teu dominio!... Quantas dôres não tens tu mitigado com a protecção do teu magico affecto!... Para quantos infortunios não tens sido o anjo mensageiro, enviado pelo Creador á humanidade!... E haverá ainda alguem, tão estolidamente egoista, que pretenda negar o teu poder?!...
Homem, quem quer que tu sejas, dize-me--que és tu perante as lagrimas de uma mulher?... oh!... mesquinha e louca creatura!... quão ephemera é a a tua natureza!... grão de areia na vastidão do oceano!...
Mulher! Eu respeito as tuas dôres, bemdigo as tuas lagrimas!...