Roberto, aproveitando-se da ausencia do seu amigo Arthur, fôra immediatamente habitar para casa da sua querida amante, a fim de lhe fazer companhia, ao menos durante o apartamento de seu esposo...
Uma noite estavam elles inebriados em mutuo abrasamento, quando, inopinadamente, sentiram abrir-se a porta, de golpe, e entrar por ella o moço provinciano, d'uma pallidez sepulchral e com a fronte inundada d'um suor frio, que lhe devorava a triste existencia. Sustinha um rewolver na mão direita, que lhe fôra impossivel desfechar: tal era a sua situação!
Mathilde caíra desfallecida e exangue. Roberto, aterrorisado, recuou dois passos; depois investiu contra o inimigo, a quem tomou por um braço, e arrancou d'uma especie de torpor em que jazia.
--Medir-nos-hemos no mesmo campo,--vociferou Roberto, como que allucinado e simulando gestos medonhos.
Arthur interrompeu-o por algum tempo, olhando para elle fitamente e exprimindo, talvez, a sua profunda compaixão pelo miseravel que via diante de si.
Em seguida Roberto proseguiu:
--Ámanhã, ás 4 horas da manhã, na praça da Boa-Vista: escolherá as armas e padrinhos, conforme lhe convier: de resto, estou ás suas ordens.
Após esta fatal allocução, Roberto saíu tranquillamente d'aquella casa.
Arthur, apenas recuperados os sentidos, retirou-se egualmente pacifico, como se tivesse assistido a um magnifico espectaculo.
O certo é que Mathilde, quando voltou a si, já não viu mais ninguem no quarto, afora uma velha criada, que velava por ella solicitamente.