No dia immediato, á hora convencionada, Roberto apresentou-se destemidamente na praça da Boa-Vista, aguardando o seu adversario, com quem esperava bater-se n'um duello de morte.

Arthur, porem, não appareceu ali, como era para desejar. Tambem ninguem mais soube do desventurado mancebo. Diziam uns que elle tinha embarcado para Inglaterra, onde se fôra reunir a seu irmão, muito amigo, que negociava em vinhos n'aquelle paiz: outros affirmavam que vivia occulto n'um logar proximo de Lisboa, afim de nunca mais ser visto, nem tão pouco tornar a fallar com sua esposa depravada e falsa.

Mais adiante veremos o que é feito d'elle.

CAPITULO IV

Oh! n'insultez jamais une femme qui tombe;
Qui sait sous quel fardeau la pauvre âme succombe?...

V. Hugo.

Caíu o anjo bom, ficou o anjo mau!

Já não havia valer-lhe, á triste victima. A quéda foi tanto mais fatal, quanto mais audacioso tinha sido o vôo a que loucamente se arrojara.

Dentro de pouco tempo, Mathilde ganhara o desprezo da sociedade. Seu pae havia succumbido a tão dolorosa crise. Arthur retirara comsigo a sua protecção e o seu dinheiro.

No meio do esplendor e louçanias d'este mundo tudo nos sorri prospero e seductor. Não faltam amigos; multiplicam-se os parentes. Vem depois o phantasma da tristeza, o espectro da desventura, e a victima, odiada por todos, á beira do abysmo, terá, apenas, a Providencia por unico e derradeiro recurso.