A aridez do deserto, depressa a superou, a triste romeira. As difficuldades foram-se-lhe tornando habituaes de dia para dia. O seu halito alcoolisado captivara a attenção de muita gente.

O corpo, já de si pestilente, transformara-se repentinamente em podridão nauseante. Ao longe, pairava o corvo, immundo e contente, por sobre as exhalações infectas d'aquelle charco putrido, aguardando occasião opportuna para cevar ali a sua espantosa avidez.

E assim aconteceu, realmente. Um dia, atravessava indifferentemente as ruas da cidade um camponez, levando um caixão ás costas. Dirigia-se para o Prado do Repouso! Lá o lançaram para uma cova, e com elle os restos mortaes d'uma mulher desditosa.

A terra occultava uma infeliz no seu seio obscuro; os homens acolhiam no seu gremio um leproso vil e incuravel!...

Nem uma lagrima! nem um suspiro! nem um ai compassivo!...

Roberto, ao saber do funebre passamento de Mathilde, neste mundo, limitou-se muito ingenuamente a vomitar uma bafurada de fumo de seu enorme cachimbo, acompanhada de sinistra gargalhada!

E melhor foi assim, talvez!...

A mulher ludibriada havia desapparecido para sempre de sobre a superficie da terra! Era tempo de procurar outra victima!...

Rejubilae, satrapas da corrupção e da licença! erguei as cabeças, parasitas ignobeis!...

Vinte, trinta ou quarenta mortes, que importa tudo isso, uma vez que nós vivamos contentes e satisfeitos?!...