Livre é a flor, quando envia aos céos o aroma de suas douradas pétalas; a brisa é livre, quando beija o lyrio; é livre o passarinho, quando em haste vergada festeja o doce idyllio do crepusculo; é livre a humanidade, quando bafejada pelo sopro divinal das grandes idéas e sublimes principios!...

Por entre todas as nações do universo, a America sorria-me grandemente ditosa. Washington era para mim um planeta, aureolado de mystica luz; Franklin o seu majestoso satellite.

Um dia, quando menos o julgara, estava a milhões de passos da minha terra natal.

Singrei vastos mares.

E quantas vezes, minha mãe, veiu o teu doce anhelo contornar uma consoladora esperança em meu espirito perturbado! Oh! e quantas vezes, mimosa Therezinha, me veiu a tua imagem afagar o meu scismador enlevo! E como tu eras bella, então!...

Queres saber--nas horas da bonança, quando o nosso barco deslisava muito de mansinho, ao de leve, por sobre o crystal sempre agitado do oceano, em guisa de quem receia ser ouvido pelos milhares de espectadores, que se nos antolhavam n'aquelles raros momentos de inebriantes arrobos e mysticas harmonias,--eu imaginava ver-te entre nuvens, radiante de fulgor ingente, cingida a fronte alabastrina de rosas purpurinas, lyrios prateados, meigas violetas, opulentas camelias!

Depois vinha o desfazer das chimeras, e eu, a trasbordar de enthusiasmo, dizia de mim para mim:--«Ao menos, se um dia alcançar o que desejo, verei para sempre minha pobre mãe feliz, ao pé de mim, e Therezinha será o meu anjo custodio!

E vês tu, minha mãe, todos estes quadros se me desenhavam n'esta imaginação incendiada, quando ouvi subitamente a maruja no tombadilho levantar um brado compassivo e clamorosas imprecações.

Agitei-me violentamente, e corri ao logar do sinistro!

III