Que doce aroma! que suave fragrancia!
Alada visão, fiel mensageiro do homem--o amor,--conforta o desgraçado e sorri á opulencia. Expellem-se os cuidados, apavoram-se os temores, rejuvenesce a humanidade!
Dia de solemne bemaventurança!--eu quero colorir teu quadro ingente, juncar de variegadas côres teu sólo matizado!...
A nove kilometros de Aveiro existe a pittoresca villa de Eixo. É uma deliciosa povoação! O Vouga espraia ali mansamente suas limpidas aguas, formando como que um vasto lençol, por entre os formosos salgueiraes, que lhe servem de margem e curiosa graciosidade!
Ha um não sei quê de vago e sympathico nos seus ignotos caminhos, tão cheios de divina poesia e magica formosura, que nos seduz instinctivamente. Em todos os paizes ha d'estas pequenas povoações, mais ou menos dilectas do povo, e que parecem ter sido apontadas adrede para a representação dos grandes dramas da humanidade. E esta foi realmente uma d'ellas, como abaixo veremos!
Ha de haver dez annos, Eixo trajava de galas. A solidão transformara-se subitamente em meigo theatro de harmonia e saudade. Os habitantes como que resuscitavam do seu antigo marasmo. Desvaneciam-se as trevas do sepulchro, perante o vivo esplendor d'uma aurora deslumbrante!
Era um dia de festa, emfim, dia de noivado, sancto alvoroço, candida alegria!
Fernando, o moço querido da terra, esposara Luiza, a joven e sympathica aldeã. E foi devéras uma suprema abnegação aquelle divino enlace! Fernando possuia a riqueza do espirito e a riqueza do dinheiro.
Era uma joia!