Luiza, essa, coitadinha! limitava seus parcos cabedaes á rara e quasi esquecida opulencia dos grandes sentimentos e vivas impressões. Amava com ardente intensidade.

Era uma perola!

Fernando era tão amado, tão louvado! Ai! Senhor! que thesouro aquelle!...

Na sua frequente passagem pelas ruas da villa, os lavradores descobriam-se respeitosamente. Depois lá se ficavam longos momentos a scismar, até que por fim! diziam elles de si para si:--Pombinha sem fel!--e seguiam o seu rumo.

Luiza grangeára a piedosa dedicação das suas patricias. Era em extremo philantropica: e de muitas conseguira ella até a sincera veneração de santinha, que realmente era.

Quando, por acaso, se fallava em Luiza áquella pobre gente d'aldeia, esta retorquia logo com vivo interesse:--Ai! a Luizinha! a noiva do sr. Fernandinho! isso é mesmo um anjo, meu senhor! E elle, que bondade, que ternura! É mesmo ouro sobre azul!...

Imagine-se pois, que mago fulgor não irradiariam aquellas duas ternas creaturinhas, ao estreitarem seus amorosos corações pelos vinculos indissoluveis do matrimonio!...

Que sancta alliança aquella, meu Deus! Que innocente festa não ia pela villa!...

Tudo folgava, tudo amava, tudo vivia!...

Apenas o mancebo sahira da egreja, levando sua angelica esposa pelo braço, immediatamente, d'aquelle enorme conjuncto de povo, apinhado em massa pelas ruas da villa, para assistir ao brilhante cortejo, rompeu a mais solemne acclamação, o mais enthusiastico viva.