Leonor, por quem és, envia-me o balsamo para as saudades que me opprimem o coração.--Mauricio.

CARTA 2.ª
(Resposta de Leonor)

Bemfica, 1860.

«A tua carta veio encontrar-me agonisando nas vascas d'uma paixão febricitante.

Um dia sorriu-me o oasis mimoso no deserto da vida, acerquei-me d'elle extenuada de fadiga, e com o meu pobre coração dilacerado por uma lucta gigante, que me fôra impossivel evitar. Julgava ser aquelle o alento para proseguir na minha espinhosa tarefa!... Illusão!... Sinto-me fraca, e não sei se terei forças para resistir ás agitações febris que hoje me dominam.

Pede a Deus, meu bom amigo, me prolongue os dias da existencia, para poder abraçar-te mais uma vez ao menos, e morrer depois com a consolação derradeira do moribundo, que vê junto do seu leito o vulto venerando do presbytero, amenisando-lhe a algidez do sepulchro com a uncção da sua divina prece.

Lembra-te sempre da tua amiga, que, ao longe, vela por ti dia e noite.--Leonor.»

CARTA 3.ª
(De Mauricio a Leonor)

Paris, 1860.

«Não sei como communicar-te o temor violento, que se apoderou da minha debilitada existencia ao ler e reler a tua carta. Aquellas linhas, dictadas pela fatalidade poderosa do amor, e escriptas por tua angelica mão, que tantas vezes beijei com o anceio de largas esperanças no futuro, compungiram-me profundamente.