—Vem, moço—exorou o cabreiro. Olha que ella hoje, sempre te está! Anda, levo-te a rez.
Consentiu o Chico em deixar ir o rebanho; mas elle ficou. A Tonia não se teve. Foi pressurosa tiral-o d'aquelle adormecimento. Com ligeiro sorriso de meiguice, pediu ao Russo:
—Ó aquelle. Junta-me tamem as minhas, que eu vou trazel-o.
III
E lá foi, doida, feliz, correndo de fraga em fraga. O Russo assobiou ao Rabicho, reuniu todo o gado e partiu... Chorava lagrimas como punhos, e voltava-se para vêr de relance a Tonia, que chamava o Chico, com acenos e gritos. Bem se importava o preguiçoso com aquelle louco amor da rapariga!...
—Eh! moço! vem-te d'ahi p'r'ó Guidon.
Elle respondeu-lhe:
—Eh! que 'stou' qui mui bem.
Tirou do seio a flauta e sentando-se no penedo, principiou a tocar. O sol illuminava-o de frente, prateando-lhe os cabellos negros. O destaque da sua figura magra e enfezada sobre o escuro penedo, fazia-se como o d'uma miniatura em fundo esmaltado. A Tonia chamou-o:
—Já lá vão as tuas cabras, maluco.