—É o senhor cura—disse Luiza, falando como se só comsigo falasse.

—Ah! hoje demorou-se mais. É que os rapazes não sabiam a doutrina. Calaceiros!...—pronunciou o velho, sem levantar os olhos dos joelhos.

O sacerdote adeantava-se com o seu habitual ar benevolente. A batina ecclesiastica dava-lhe solemnidade ao parecer, e só o passo energico era signal de que não vinha em boa disposição de espirito. Luiza, logo que o viu á voz, levantou-se para o saudar; Miguel que tinha, ao lado o pau a que se amparava, ia a fazer o primeiro esforço para se erguer, quando o cura, já com a mão na cancella para entrar, disse alto:

—Eh! lá! Para doentes não ha ceremonias!...

—Muito bom dia, senhor. Hoje mais tardinho. Os rapazes não a sabiam, está de vêr...

—É verdade—informou o Carvalhosa com voz irritada. Talvez peior que no domingo passado e estamos no fim da quaresma.

—Uma palmatoria senhor! Olhe que isso não vae sem lhes doer.

—E é que o faço!—asseverou com energia o ecclesiastico. Se me obrigarem a sahir de mim, irá o diabo n'aquella sachristia.

—Vossa Senhoria não é capaz d'isso...—opinou ironicamente Luiza.

—Não sou capaz!? Estás enganadissima! É que vocês nunca me viram pelo lado do forro. Se me volto do avêsso, vae ahi o dia de juizo.